vestia branco da tiara na cabeça
à correntinha no tornozelo.
Corria apaixonada pela extensão
dos ferimentos dele
profundos em sulcos na pele.
Mas ela também tinha cicatrizes
que fechavam o braço como
tatuagens sinistras.
E ele só via as
cicatrizes dele mesmo
já que o resto não importava.
Ela era seu anjo e
ele era seu demônio
ambivalentes.
Ela sorria com graça
enquanto ele a espancava
com palavras grosseiras.
Não escolhemos de quem gostar
ela dizia.
E o amava com tudo que podia.
Até que um dia não aguentou,
e correu ao precipício com ele
no seu encalço.
Perdoa, anjo,
não fiz por mal
não pise em falso!
"Todos os anjos sabem voar"
- ela disse serena -
E se jogou de costas no penhasco.
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