1
inoportuno e indissolúvel:
ninguém duvidará do amargo da minha língua
quando ouvirem como te expulsei
da minha vida.
sorrateiro como uma cobra
armei a emboscada, dei o bote
joguei o que restou de você em outro
pra que tentasse te recuperar de mim.
2
é noite, mas não tarde
e as pessoas me notam
veem que ando sozinho, mesmo
que acompanhado.
vejo todos de longe e,
por não conseguir ouvir suas vozes,
imagino-os arrulhando como pombos noturnos.
todos eles, pombos nacionais e estrangeiros.
3
sento na beira e toco meus pés na água
busco reflexos, miragens, fantasias,
nada.
alguma coisa passou e eu não senti
não vi não me importei
sou o menino mais sozinho do mundo inteiro.
deito no píer porque minhas costas doem
e no alto vejo um garoto bonito apoiado na beirada
de uma nuvem gorda recortada no céu escuro:
ele acena sorrindo e por reflexo
aceno de volta.
4
há um zumbido tão esquisito aqui
imagino que esta seja a voz do mar
(e não o marolear, como a maioria acredita)
percebo num instante que tudo é familiar
ainda que nunca tenha vindo aqui de corpo e mente
sou o menino mais sozinho do mundo inteiro.
5
ninguém é insubstituível.
Show de bola. Escreve por diversão ou tem algo publicado?
ResponderExcluirPor diversão, mas a intenção é ter algo publicado ainda.
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