leio teus poemas mais antigos
na esperança de te encontrar
mas só te perco mais
entrelinhas tão misteriosas
te descubro como outro
te leio e descubro o que pensa
o que te faz bem
e o que não faz
descubro que meu nome está
nas duas listas
te procuro mais fundo
como se teu passado escrito
fosse uma caça ao tesouro
onde foi que te perdi,
se nunca soltei tua mão?
sobre desejos realizáveis:
encontro um desenho teu em prosa
do que seria teu príncipe encantado
percebo o quanto somos diferentes
(eu e ele)
e ao mesmo tempo tão parecidos
vejo tuas viagens narradas
em versos decassílabos perfeitos
tateio os rostos daqueles que você encontrou
como se tuas letras fossem um tipo
estranho e mágico de braile
pra que fotografias
quando tenho tuas palavras tão perfeitas?
fui do Rio à Pequin
sem sair da minha poltrona
tuas memórias são melhores que um avião
essa é a última estrofe, amor
e eu ainda não te encontrei
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